Como blog estaremos aqui para escrever as nossas opiniões, observações e para que quem nos visite deixe também as suas. Tentaremos, dentro das possibilidades, manter este local actualizado com o que vai acontecendo à nossa volta em Macau e um pouco em todo o lado...

Sexta-feira, 25 de Maio de 2012

Críticas construtivas

NO seguimento do meu artigo de há duas semanas, em que falava de um bom exemplo dado pelos agentes da autoridade de Macau, não queria deixar passar a oportunidade de referir que bons e maus exemplos vêmo-los em todas as profissões. O referido artigo deu origem a uma série de comentários, uns abonatórios, outros nem tanto!

Se, na generalidade, na Imprensa se aborda mais os maus exemplos, isso se deve ao facto de serem estes a excepção e não a regra. Qualquer profissional tem por obrigação exercer bem a sua função, sendo os erros merecedores de comentários menos positivos e de críticas que se espera sejam construtivas.

Quando feitos de forma construtiva, os comentários são sempre positivos. Quem deles é alvo deve aprender a tirar o melhor proveito e usá-los como forma de aumentar a qualidade do produto do seu trabalho. As críticas que apontam para outro lado, o melhor é esquecê-las e não pensar mais no assunto!

Na verdade, a polícia de Macau, como já foi dito inúmeras vezes, é de boa qualidade e a grande maioria dos agentes são bem formados e dignos da farda que envergam. A qualidade da escola de polícia está acima de qualquer suspeita e tem provas dadas ao longo dos anos.

No entanto, alguns agentes, quando começam a trabalhar na rua,c parece terem esquecido tudo o que aprenderam durante a formação, acabando por denegrir o todo da corporação, levando a que a população tenha a polícia em muito pouca consideração.

O facto dos agentes serem frequentemente visados nas páginas dos jornais e nas redes sociais reflecte apenas a necessidade de haver uma maior fiscalização por parte dos superiores e das comissões – (Macau é a terra delas!) – que foram criadas para assegurar a qualidade. Muitos desculpam os «descuidos», pelo facto de ser um trabalho de rua, em vez de ser num escritório com ar condicionado! Contudo, não nos podemos esquecer que também são feitas muitas críticas a outros funcionários públicos da linha da frente que trabalham em locais com ar condicionado e ambiente controlado. Portanto, o facto de ser um trabalho que tem de lidar com os rigores do clima em nada os desculpa das asneiras que fazem!

Quando me aparecem com essas desculpas, só me apetece dizer que ninguém é obrigado a ser polícia. E se não querem ser alvos de críticas desse tipo, optem por outras profissões. Afinal, pelo que sei, só vai para a polícia quem quer.

Qualquer profissão, especialmente as que lidam diariamente com a população, são constantemente alvo de críticas por parte das pessoas com quem contactam. É da natureza humana apontar apenas os erros…

Por exemplo, os jornalistas, pelo simples facto de fazerem críticas em textos de opinião, ou de abordarem certos temas de forma menos «correcta», são bombardeados com comentários de pessoas que ou não entenderam, ou não concordam com o ponto de vista. Infelizmente, por muito que se tente, não se consegue agradar a todos.

O que me aborrece é o facto de alguns cidadãos não aceitarem que possa haver pessoas com pontos de vista diferentes, assim como pessoas que, no seu direito à opinião, não gostem do trabalho dos agentes (tanto da polícia como de qualquer outro serviço) e sejam alvo de represálias por expressarem a sua opinião livremente. Afinal, temos ou não liberdade de expressão em Macau?

Hipoteticamente, o eu não gostar da polícia em geral não deve ser um factor negativo para a minha vida em sociedade. Assim como não deve ser para outros cidadãos que, possivelmente, não gostem de médicos, ou juízes, ou dos fiscais do fumo, para citar alguns exemplos.

Cada cidadão tem a liberdade de apontar o que pensa estar errado e esperar, da parte das autoridades competentes, que isso seja corrigido, quando tal se justificar.

A verdade é que em Macau, neste caso a polícia, tem muito que melhorar, especialmente no que diz respeito aos agentes que andam à chuva e ao sol. O factor climatérico não pode, nem deve, interferir na sua capacidade de desenvolver e prestar um serviço de qualidade ao cidadão comum. Há muitos agentes policiais que, mesmo perante os rigores do clima de Macau, prestam um serviço exemplar.

Um erro, por pequeno que seja, causa má impressão na população e acaba por manchar a globalidade da corporação, pondo em causa os milhares de agentes que, diariamente, dão o seu melhor, à chuva e ao sol.

É isto que as chefias da corporação devem ter em conta: ver onde estão os maus exemplos e corrigi-los, para que toda a equipa fique a ganhar. Tentar desculpar as chamadas «ovelhas negras» só acaba por prejudicar toda a imagem do grupo.

Por mim, como sempre, andarei por aqui para ir apontando o dedo e aprendendo com as críticas.

Sexta-feira, 18 de Maio de 2012

Feira de iates, outra vez!

O TEMPO passa como se fosse vento, sem que nos apercebamos de que a cada dia ficamos mais velhos e as oportunidades só se concretizam uma vez. Se não as aproveitamos, vamos acabar por nos arrepender durante o resto das nossas vidas. Isto aplica-se tanto a pessoas, como ao próprio Governo.

No ano passado, mais ou menos nesta altura, escrevia sobre algo que pouco, ou mesmo nada, foi falado na Imprensa local. Apesar de ser um evento de grande envergadura e de ser, então, a primeira vez organizado nesta cidade, não mereceu o apoio que merecia da população, da Comunicação Social e, muito em especial, do Governo, que apenas olha para o Jogo, para os «patos bravos» e a especulação imobiliária com o seu lucro fácil.

Macau vai ser palco, pela segunda vez, de uma feira de iates e barcos de luxo. Ao contrário do que a maioria da população pensa, barcos não são apenas para gente rica, pois há-os para todas as bolsas. Aliás, existe o estereótipo de que os donos de barcos e quem viaja de barco são milionários. Pois, posso garantir que quem tem essa ideia nunca meteu os pés dentro de um veleiro ou de um barco a motor. Aliás, a nível mundial, os milionários nesta vertente são uma minoria e raramente embarcam em grandes viagens, servindo os seus barcos apenas para ostentar e mostrar a sua riqueza.

Há todo um outro mercado na náutica de lazer que gera riqueza e empregos, mas que não significa que os proprietários sejam ricos.

Se bem que o exemplo da feira de Macau aponte mais para as carteiras recheadas da China, a verdade é que em Macau não há condições para mais barcos. A actual marina, se é que lhe podemos mesmo chamar marina, está cheia e não tem qualquer tipo de condições. Nem casa-de-banho tem, para já não falar nas outras instalações de apoio que os sócios, que pagam mensalidades e jóias de membro, deveriam ter para uso: bar, duches, zona de reparações, entre outras, apenas para citar algumas das lacunas.

Por outro lado, quem quer comprar barco em Macau enfrenta o problema de não ter onde o colocar. E, caso opte por um barco que possa ser colocado num reboque, enfrenta um outro problema ainda maior, relacionado com o trânsito. Ao que parece, em Macau, não é permitido circular com atrelado em carros particulares, o que inviabiliza qualquer tipo de recurso a essa solução para fazer face à falta de lugares na marina.

Recentemente escrevi nestas páginas que a directora da Capitania dos Portos dizia haver dois locais para iates em Macau. Continuo à espera que me digam onde fica o segundo, porque quero ir ver!

Por outro lado, a Lei Marítima de Macau reconhece a existência de vários portos em Macau e locais de ancoragem. Mas, na verdade, isso não passa de letras no papel. Se quiserem provar isso, experimentem mandar uma mensagem a pedir um local para ancorar um barco. A resposta irá apontar para a Marina do Lamau (que, como já se referiu, está cheia). Portanto, um livre residente de Macau que pague impostos, como toda a gente, se quiser ter barco, em vez de carro, vê-se obrigado a ter de pagar a uma entidade privada para o «estacionar». Algo que, no meu ponto de vista, é injusto, pois quem tem carro pode estacionar na rua, visto ainda existirem locais sem parquímetros.

Antigamente era possível ancorar no Porto Interior, na zona onde param os barcos de pesca, mediante o pagamento de uma taxa anual à Capitania. Actualmente, porém, apesar de tal estar previsto na lei, a Capitania recusa-se a atribuir bóias de ancoragem a privados que não sejam «pescadores». Uma discriminação que não se percebe.

Com todos estes contratempos, Macau avança para a segunda feira de iates! Espero que este ano, pelo menos, os representantes do Governo, nomeadamente do Turismo, se dignem a comparecer no evento, que mais não seja para saborearem uns aperitivos de graça e beberem uns copos de champanhe!

A iniciativa este ano está a cargo das mesmas entidades que organizaram o evento há um ano. Aliás, entidades da China, algo que também não se percebe, dado haver em Macau empresas com experiência suficiente para realizar um evento desta natureza. Além disso, a empresa responsável pelo evento nem sequer tem história na organização de feiras de barcos!

Ah! Este ano parece que vai haver uma regata com dezenas de veleiros. Eu, incredulamente, pergunto-me de onde virão tais velejadores e embarcações! Em Macau há cinco, mas apenas três sobem as velas regularmente! E quando se organizam regatas de e para Hong Kong, nunca se conseguem mais de dez… Vamos esperar…

Fórum alarga esfera

Apenas um pequeno aparte, visto ter lido a notícia recentemente e não querer deixar passar a oportunidade de a realçar. O Fórum de Macau prepara-se para alargar a sua esfera de influência a actividades não económicas, nomeadamente à cultura, pelo que foi abordado por alguns dos seus membros numa reunião na semana passada. Gostaria de manifestar o meu agrado e esperar que não voltem a recusar apoio a iniciativas de cariz cultural e de promoção de Macau, como aconteceu recentemente, depois de terem garantido que dariam todo o apoio necessário a nível institucional.

Sabendo-se que o Fórum tem vindo a apoiar a Semana Cultural e a Lusofonia, é muito difícil entender a recusa de apoio a um evento que tem como propósito promover Macau e os laços que ligam os países de língua Portuguesa.

Fica o reparo, a nota de agrado e o conselho para que submetam novamente a proposta, se esse propósito avançar. Desta vez enviem directamente ao secretário-geral; pode ser que a receptividade não mude.

Afinal, a Economia e o Comércio andam sempre de mãos dadas com a cultura e os laços afectivos.

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